A Ed. Física Nos Transtornos Infantis

O presente artigo tem a finalidade de orientar e despertar o interesse de professores que têm em suas aulas crianças com problemas como os transtornos infantis que são os mais enfrentados pelos professores nas escolas, como o pé plano, asma, problemas de postura, transtorno de hiperatividade (recentemente mais conhecido como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade [TDAH]), obesidade, entre outros. Recentemente a Pedagogia está investigando, descobrindo evidências e conhecimentos e incorporando mais recursos metodológicos tanto para o diagnóstico como para a intervenção. Diante de tudo isto os professores têm um interesse de como poder intervir a partir do seu campo de atuação.

Primeiramente é necessário identificar por meio de uma avaliação apropriada os comportamentos de seus alunos e definir, posteriormente, as metodologias válidas de intervenção pedagógica. O principal objetivo deste artigo é incentivar idealizar, desenvolver e avaliar um programa sistêmico de intervenção concebido pela Educação Física para crianças em idade escolar primária. Em relação à forma de intervenção didática da Educação Física deve-se reconhecer que houve muitas tentativas de estudar e descrever os métodos didáticos específicos em Educação Física. Nos anos de 1970, Mosston (1978) expôs pela primeira vez os estilos de ensino em Educação Física.

Recentemente, Ritcher (2007) afirma que os objetivos ou a metodologia de ensino da Educação Física mudam de um contexto para outro. Por sua vez, Contreras (1994) afirma, em relação à descrição do que ocorre nas escolas, que tradicionalmente na Educação Física tem prevalecido a instrução direta como metodologia mais utilizada. Este dado é incrementado com os estudos realizados por Méndez (1999), que conclui que uma metodologia alternativa de caráter mais questionador se torna mais eficiente e satisfatória para os alunos, pelo menos em alguns conteúdos.

    É importante fazer o diagnóstico e uma intervenção precoce que ajude a prevenir um curso negativo no desenvolvimento dos alunos com qualquer tipo de transtorno, como mencionam Hinshau (1992) e Quintero Gutiérrez del Álamo (2009). Por isso é necessário buscar ferramentas e envolver os pais das crianças para diagnosticá-los pedagogicamente, canalizá-los e ajudá-los didaticamente. Existem diversos questionários que, aplicados por um docente preparado, podem ajudar nisso.

    O presente surge da aplicação de questionários aos docentes em serviço no Estado de Veracruz (México) utilizando um software online. Observou-se que os professores de Educação Física investigados não tinham informação e, portanto, não tinham conhecimento necessário para avaliar e intervir nos transtornos comuns em centros escolares. A proposta de um programa deverá ser apoiada por um círculo interdisciplinar, onde reúne terapeutas, pais, pedagogos, psicólogos, assistentes sociais, tutores de grupo dos centros escolares e professores de Educação Física.

Metodologia a se utilizar

    O principal desafio é entender o que é o transtorno para depois intervir de diversas formas e ajudar a criança que sofre do transtorno. Os professores através da prática diária podem transformar qualitativamente sua atuação, adquirindo habilidades suficientes que lhes permitem dar respostas às necessidades educativas especiais que possam surgir. Para a avaliação deve-se considerar a interpretação de representantes ou participantes envolvidos, membros do projeto, pais e professores envolvidos. O professor deve fornecer orientações e compartilhar com os demais docentes e pais de alunos conhecimentos básicos e fundamentais sobre os transtornos a tratar.

    As fases para a elaboração de um plano de intervenção que se sugere desenvolver são as seguintes:

I. Fase de avaliação: Aplicar um questionário com perguntas fechadas a uma amostra de professores de Educação Física. A finalidade é conhecer o nível de conhecimentos que os educadores têm para desenvolver satisfatoriamente uma aula de Educação Física com crianças com determinado transtorno.

II. Fase de observação: Posteriormente, observar as aulas de Educação Física desenvolvidas pelos professores participantes do projeto, com a finalidade de conhecer a maneira como organizam, planejam e executam as atividades propostas pelo guia ou programa de Educação Física utilizados habitualmente no nível, dependendo de cada país.

III. Fase motivadora: Baseando-se nas atividades e resultados obtidos, realizar palestras sistemáticas ou pequenos seminários com os professores e pais dos grupos intercedidos.

IV. Fase demonstrativa: Reforçar a compreensão do que foi exposto nos seminários da atividade anterior, aplicar na presença dos docentes e educadores físicos três aulas demonstrativas, para que os participantes envolvidos possam compreender experimentalmente os pontos tratados nos seminários ou palestras onde estiveram.

V. Fase de entrevistas e avaliação: Para concluir as atividades planejadas, aplicar uma entrevista com cada um dos professores e pais das crianças estudadas após a aplicação da intervenção. Desenvolver a avaliação em dois momentos: um inicial, para determinar como se encontram as crianças antes da aplicação do programa de intervenção, e um final, para determinar as mudanças nas crianças.

    Nas sessões priorizar as técnicas, exercícios e atividades destinadas a erradicar o problema principal do transtorno. Durante os exercícios considerar o princípio do aumento gradual e progressivo das cargas. Isto é, do simples para o complexo, colocando em destaque a cooperação e ajuda mútua, a comunicação, o trabalho em grupo, concluindo com jogos passivos que influenciam o relaxamento dos mesmos (Cherry, 1993).

    Para o desenho da pesquisa, recorrer a um tipo de desenho de caso único-múltiplo, e de tipo quase-experimental, para trabalhar com grupos naturais e assim evitar uma atribuição aleatória de sujeitos, como um desenho experimental puro exigiria (Barlow, 2000, p. 35, adaptado).

    Para alcançar resultados favoráveis, o período de intervenção deverá ser de, no mínimo, 10 meses, com pelo menos 3 sessões por semana, pode-se recorrer a um desenho do tipo A-B-A, conhecido também como “desenho de retirada”, considerada uma opção adequada em pesquisas com poucos sujeitos, a partir da aplicação de exercícios muito específicos nas aulas de Educação Física, para dar à criança uma série de estratégias que lhe permite modificar seu desempenho e alcançar objetivos. É necessário ressaltar que com isto não se pretende resolver as causas dos transtornos, mas sim, desenvolver estratégias para superá-los. Para isto é necessário desenhar um quadro de indicadores de eficácia e melhoria relacionados às características do transtorno. Desenvolver um formado que permita observar e registrar o progresso de indicadores, de uso simples para os docentes, o que também permitirá uma análise compreensível para o tratamento estatístico. Os resultados finais, contrastados durante os meses de aplicação do projeto, permitirão realizar uma discussão e tirar conclusões que dariam resposta aos objetivos iniciais. Com o desenvolvimento de projetos deste tipo se abrem novas expectativas e linhas de trabalho para o futuro.

    Considerar para o desenho do projeto de intervenção, princípios básicos para sua aplicação:

I. Partir do desenvolvimento do aluno.

II. Alcançar aprendizados autônomos.

III. Construir aprendizados significativos.

IV. Agir com autonomia nas atividades e desenvolver possibilidades para que os alunos tomem a iniciativa.

V. Facilitar o conhecimento de seu próprio corpo e contribuir para a melhoria de seu movimento.

Obtenção dos resultados

    Para poder alcançar os objetivos e metas traçadas, o professor deverá, desde o planejamento, desenvolvimento e avaliação do programa sistêmico de intervenção, buscar dois tipos de resultados principais: por um lado, o que resulta em um quadro de indicadores de melhora a partir das contribuições de professores que aplicaram a proposta, e o que surge da aplicação da proposta de exercícios para a análise das variáveis de melhora com crianças que sofrem dos transtornos.

Bibliografia

  • American Psychiatric Association (1994). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder. 4ª ed. Washington, D.C.
  • Arráez, J. M. (1998). Teoría y praxis de las adaptaciones curriculares en Educación Física. Un programa de intervención motriz aplicado a la Educación Primaria. Granada: Aljibe.
  • Barlow, D.H. (s/f). Diseños experimentales de caso único. Barcelona: Martínez Roca.
  • Batalla Flores, A. (2000). Habilidades Motrices. Barcelona: INDE.
  • Campo-Arias, A., Oviedo, H. C. (2008). Propiedades Psicométricas de una Escala: La Consistencia Interna. Revista de Salud Pública, 10 (5), 831-839 Universidad Nacional de Colombia.
  • Castañer, M. y Camerino, O. (1991). La Educación Física en la Enseñanza Primaria. Una propuesta curricular para la Reforma. Barcelona: INDE.
  • Cherry, C. (1993). Como mantener tranquilos a los niños. Barcelona: CEAC.
  • Chi, T. C. y Hinshaw, S. P. (2002). Mother-Child Relationships of Children whit ADHD. The Role of Maternal Depressive Symptoms and Depression-Related Distortions (30), 387-400.
  • Dirección General de Educación Física (2005). Estadística Básica del Sistema Educativo Estatal, ciclo 2009-2010. México: Ministerio de Educación.
  • Labarca, A. (s/f) La Técnica de Observación (en línea) (consultado el 12 de abril 2011) http://www.umce.cl/publicaciones/mie/mie_modulo3.pdf.
  • Méndez, A. (1999). Efectos de la manipulación de las variables estructurales en el diseño de juegos modificados de invasión. Lecturas: Educación Física y Deportes, 16. http://www.efdeportes.com/efd16/juegos.htm
  • Mosston, M. (1978). La enseñanza de la educación física. Buenos Aires: Paidos.
  • Quintero Gutiérrez del Álamo, J. (2009). Trastorno por Déficit de Atención e Hiperactividad (TDAH) a lo largo de la vida. Madrid: Editorial Masson.
  • Richter, C. (2007). Concepts of Physical Education in Europe: Movement, Sport and Health. Journal of Physical Education, 44 (3), 101-105.



EFDEPORTES

César Ochoa García - cesar8ag@gmail.com

Doutorado em Inovação e formação de professores Universidade Autônoma de Madri,  Chefe do Departamento de Capacitação e Formação Docente Direção Geral de Educação Física Estadual, Veracruz e Professor titular de Graduação e Pós-Graduação

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