Cortes Nas Verbas Públicas Afetam Pequenos Projetos Esportivos Em São Paulo

O projeto de handebol feminino "Formando campeãs na quadra e para a vida", desenvolvido pelo Jundiaí Handebol Clube, de Jundiaí (SP), encolheu sensivelmente em 2017. Foi concebido para atender 70 meninas, mas trabalha com 30, menos da metade. A comissão técnica também foi reduzida. Hoje tem apenas treinador, assistente e monitor. A faixa etária das alunas foi de 13 a 18 anos para 13 e 14 anos.

A compra de equipamentos, como barras olímpicas e anilhas, foi outro item comprometido. Não deu para comprar objetos novos. "O projeto ficou com praticamente 1/3 do tamanho que tinha", lamentou a coordenadora Rita de Cássia Orsi. Depois de receber autorização para captar R$ 370 mil, o projeto teve de fechar o orçamento em R$ 110 mil, pois o governo estadual reduziu o limite de captação.

O encolhimento do projeto de Jundiaí é um dos desdobramentos da redução das verbas públicas destinadas ao esporte nos últimos anos. A maioria dos projetos de menor expressão está diretamente ligada ao financiamento público.

O drama de Rita de Cássia Orsi está inserido na esfera estadual. Para 2018, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo teve aprovado um orçamento de R$ 179,4 milhões, um pouco abaixo dos R$ 197,2 milhões recebidos no ano passado. Apesar da redução, o órgão informa que os programas de fomento ao esporte serão prioridade. Para lidar com o orçamento disponível, a secretaria está revendo contratos e promovendo cortes no custeio nas atividades administrativas.

Também estão preocupados os gestores que ainda não tiveram de reduzir os projetos como Vladimir Juliano Godoi, que ensina boxe em áreas de vulnerabilidade social de Sorocaba, Araçariguama e Votorantim, todos no interior de São Paulo. "A cada notícia de corte, a gente fica preocupado com a continuidade do projeto", disse. O projeto "Boxe, uma luz para o futuro" beneficia 620 crianças em 13 núcleos espalhados pelo interior do estado com apoio da Secretaria Estadual de Lazer e Juventude e da iniciativa privada.

Na esfera federal também houve retração. O orçamento do Ministério do Esporte será de R$ 1,35 bilhão, valor inferior ao dos últimos anos. Em 2017, foi de R$ 1,57 bilhão. Nesse contexto, a situação é dramática para as modalidades menores, aquelas que convivem com a falta de visibilidade. No levantamento de peso, a atleta Rosane dos Reis Santos revela que a confederação deixou de repassar para os atletas uma parte da verba destinada aos atletas pelo Ministério Esporte. Por isso, recorre aos rendimentos da Marinha - ela é terceiro-sargento -, tem rendimentos do Esporte Clube Pinheiros e dá aulas particulares de crossfit.

A atleta deposita suas fichas no Bolsa Atleta, outro programa que sofrerá alterações. Em 2017, foram 6.217 contemplados. Este ano, o número caiu para 5.830. "Muitos atletas não têm como se manter e estão deixando de treinar para trabalhar", contou a atleta que terminou em quinto lugar no levantamento de peso até 53 kg feminino nos Jogos do Rio-2016.

INICIATIVA PRIVADA - Apesar da diminuição das verbas, o investimento público ainda é a tábua salvadora dos projetos esportivos. "Visitei mais de 20 empresas privadas e a maioria não quis investir", lamentou Adriana dos Santos, prata com o basquete feminino em Atlanta-1996.

Em São Paulo, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer deve contar para este ano com uma receita de R$ 228,3 milhões, inferior também ao último ano (R$ 276,8 milhões em 2017). A principal meta é ampliar em 20% a taxa de atividade física na capital paulista. Outro objetivo é fazer melhorias em 60% dos Centros Esportivos.


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Foto: divulgação