Neve, água Ou Terra: Pioneiro Em Sochi Tem 5 Próteses E Mira Jogos De Verão

André Cintra, atleta paralímpico que representou o Brasil na Rússia em 2014, treina para estar em Pyeongchang, na Coreia do Sul, em 2018; ele foi voluntário na Rio 2016.

O snowboarder André Cintra, ao lado do esquiador Fernando Aranha, foi pioneiro no país na disputa de uma Paralimpíada de Inverno, em Sochi 2014. Agora, o brasileiro já está de olho no próximo desafio: estar em Pyeongchang 2018, na Coreia do Sul. Apesar de estar focado em voltar a representar o Brasil nos Jogos, ele também tem outras metas para o futuro. O paulista foi voluntário no atletismo na Olimpíada Rio 2016, no Engenhão, e a participação nos bastidores do evento fez com que ele vislumbrasse uma chance de disputar a Paralimpíada, agora a de Verão. André é um multiatleta, tem cinco próteses para esportes radicais e dia a dia e passou a estudar as modalidades do programa tentando encontrar uma em que consiga se adaptar rapidamente para o próximo ciclo, visando Tóquio 2020.

- Esse contato com a Olimpíada do Rio me despertou muitas coisas. Vontade de fazer esportes de verão e também de estar mais envolvido, mesmo que seja ajudando outros atletas paralímpicos. Ainda não sei qual esporte de verão eu vou fazer. Um dos motivos que me fazem ter dúvida é que não há nenhum esporte radical. Sempre estou envolvido com esportes radicais, e no verão não tem isso ainda. Preciso pensar bem no esporte que poderia me adaptar plenamente. O surfe abriu para a Olimpíada, mas para a Paralimpíada, não - explica André.

Aos 37 anos, o paulista é apaixonado por esportes radicais desde a infância. Quando tinha 17 anos, sofreu um acidente de moto e perdeu a perna direita instantaneamente. Mesmo assim, seguiu a vida normalmente, tanto é que logo em seguida viajou para mais uma aventura.

- Tive uma amputação na hora. Quando acordei no dia seguinte, já estava sem a perna. Minha adaptação foi rápida. Três meses depois do acidente eu recebi um convite para fazer rafting no Nepal. Coloquei a prótese e fui para lá. Fizemos corredeiras nível cinco e seis durante seis dias seguidos. Desde que me conheço por gente gosto de esportes radicais - explica o atleta, que mantém um emprego formal na indústria química.

Prótese de R$ 20 mil

Além do snowboard, André pratica rafting, kitesurf, wakeboard, corre e surfa. Para cada atividade é preciso uma prótese diferente. Todas juntas requerem um investimento na casa dos R$ 60 mil de acordo com preços do mercado atual.

- Tenho uma prótese para kitesurf, uma para wakeboard, uma para fazer snowboard, uma para correr e outra para caminhar. Cada uma tem uma fucionalidade diferente. Uma dobra mais, outra menos. Uma tem amortecedor, a outra não. Uma tem a trava, outra não. Adapto as próteses de acordo com o esporte e a minha necessidade.

A prótese do snowboard, por exemplo, custa cerca de R$ 20 mil e tem dois amortecedores, um no tornozelo e outro no joelho, que ajudam nos movimentos e absorvem os impactos. 

- As próteses de snowboard são bem específicas e foram criadas há pouco tempo. Elas funcionam com espécies de amortecedores parecidos com os de bicicleta. Tem uma série de regulagens que você tem que fazer. Regulagens de ângulo, de joelho e de tornozelo e pressão, você precisa colocar ou tirar ar da prótese. Dependendo do tipo de prova que você vai fazer, você precisa ajustar especificamente para a prova. Por exemplo, se é uma prova com mais salto, ela tem que estar mais flexível para absorver mais o salto. Se é uma prova com mais curvas, tem que estar mais rígida - completa André.

O paulista foi o único atleta paralímpico no Campeoanto Brasileiro de Snowboard em Corralco, no Chile, e prepara-se para mais um ciclo olímpico visando a Paralimpíada na Coreia do Sul, em fevereiro de 2018. Assim, os dias na neve chilena serviram de treinos para o circuito internacional que começa em novembro e dá pontos para a corrida paralímpica.

- Meu objetivo principal é fazer mais um treino, mais uma temporada, para me preparar para as etapas de Copa do Mundo que estão vindo a partir de novembro. Os próximos torneios começam na Holanda, em novembro, e depois deve ser França, Espanha, EUA, Canadá e talvez um evento-teste na Coreia do Sul. Tenho que ganhar pontos e ficar entre os melhores do mundo para conseguir ir para a Coreia - finaliza.

Globo Esporte

Foto: divulgação