Capoeira é Reconhecida Como Esporte E Praticantes Podem Se Candidatar Ao Bolsa Atleta

O som do berimbau agora ecoa diferente. Desde a última terça-feira (16), a capoeira deixou de ser considerada apenas arte e passou a ser reconhecida como esporte. A decisão do Ministério do Esporte, entre outras repercussões, permite ao capoeirista pleitear a participação no programa Bolsa Atleta, que garante incentivo a jovens atletas em condições financeiras precárias.

A medida traz alento, mas também alguma desconfiança de gente envolvida com a capoeira há muitos anos. “Tem os dois lados. Temos que ver como será essa regulamentação de fato e qual órgão se responsabilizará por administrar essa questão. Temos medo que seja o Conselho de Educação Física e não é isso o que queremos. A capoeira andou até aqui com suas próprias pernas”, pondera o mestre Mão Branca, 55 anos, uma das referências da capoeira em Minas Gerais.

“No que diz respeito à questão do programa Bolsa Atleta será um incentivo muito grande e um ganho significativo, mas temos medo que eles comecem a cobrar taxas e mais taxas e na verdade não fazer nada em benefício da capoeira”, completa o mestre, com mais de 45 anos de dedicação ao esporte.

Como a resolução foi publicada há menos de uma semana, o Ministério dos Esportes ainda não divulgou qual entidade a modalidade estará vinculada. Em Minas Gerais, existem atualmente dois órgãos criados para organizar e agrupar os capoeiristas. Porém, tanto a Federação Mineira de Capoeira e a Federação de Capoeira do Estado de Minas Gerais, caminham a passos lentos.

 Gestão própria

Com 34 anos de dedicação à capoeira, Antônio Dias, outro mestre da capoeira, comemora o reconhecimento. Ele, no entanto, também defende que o esporte deve ser gerido pelos próprio capoeiristas.

“Não é uma mudança, é mais um reconhecimento de outra expressão que a capoeira se encaixa. É uma manifestação cultural, de educação, artes, mas também tem este lado esportivo. O que está acontecendo é uma regulamentação de todos esses fatores. A capoeira nunca vai deixar de ser arte”, opina Antônio Dias.

Para ele, a capoeira pode ganhar ainda mais espaço no país. “Vejo isso como uma melhora muito grande, pois vai criar mais condições de as políticas públicas investirem na capoeira. Abre uma nova frente para se tentar políticas públicas de financiamento”, comenta Dias.

“A capoeira é como uma mãe, abraça todos e tem espaço para todos. O único entrave que eu vejo é porque ainda não sabemos como isso vai funcionar. A capoeira tem que ficar nas mãos dos capoeiristas. Tem muita gente competente na área para isso”, completa.