Desafio Maior: Novo Trio Caminha Rumo Ao ápice No Ironman Florianópolis

No ano passado, três pessoas comuns chegaram ao ápice no Ironman 70.3 do Rio de Janeiro. Lívia, Kênia e Rafael saíram praticamente do zero e, treinados por Fernanda Keller, viraram triatletas, superando suas dificuldades pessoais, cada um com sua história de vida. Neste ano, o desafio da série Rumo ao Ápice, que estreou neste domingo no Esporte Espetacular (veja os vídeos abaixo), será ainda maior. Também amadores e inexperientes, três novos personagens encararam suas limitações em três meses de treinos para tentarem se tornar Ironman, ou seja, nadar 3,8km, pedalar 180km e ainda correr 42km. Tudo isso no mesmo dia, na etapa 2017 do Ironman Florianópolis. Conheça Adriele, Cristal e Fernando.

Força de aço

Paulista de 30 anos, Adriele é biamputada. Em 2012 foi parar no hospital por causa de uma pedra no rim e acabou internada por 64 dias, 53 deles na UTI, 20 em coma. Sobreviveu, mas precisou amputar as duas pernas. Meses depois, viu no esporte um incentivo para seguir em frente e virou paratriatleta. Ela, no entanto, só faz provas curtas de triatlo.

Adriele usa próteses para pedalar e correr (lâminas). Ganhou as “pernas” de um programa de esportes de uma universidade americana, assim como sua bike adaptada. Magrinha, Adriele não pode perder peso por causa do encaixe das próteses que custam cerca de R$ 40 mil.

Treinar Adriele foi um desafio para a mais famosa triatleta do Brasil. Fernanda Keller nunca tinha trabalhado com uma pessoa amputada.

Sem trauma

Cristal Soares Dias tem 26 anos e é estudante de engenharia no Rio de Janeiro. Já corria pequenas distâncias e nadava. A bicicleta é o maior desafio. Nunca tinha usado uma bike de competição e nem sequer calçado sapatilhas. O medo de cair também a atrapalha. Tem uma relação intensa com o mar. Cristal perdeu o pai aos 17 anos. Ele teve um ataque cardíaco enquanto surfava. Mas nem o trauma diminuiu sua paixão pelas águas.

A estudante tem outra história de trauma ligado ao esporte. Um de seus melhores amigos morreu ao completar uma maratona na Bahia. Ela viu tudo. Não conseguiu voltar a correr por um bom tempo e teve dificuldade nos testes cardíacos e ergométricos feitos antes do início dos treinamentos.

Cristal tem na irmã e no namorado seus grandes parceiros e incentivadores na tentativa Rumo ao Ápice.

Contra a pressão

Militar, o gaúcho Fernando Ferreira, de 35 anos. Tem intimidade com a corrida. Já esteve em duas missões de paz no Haiti representando o país e é guia de corredores cegos nas horas vagas. A natação, porém, é o ponto fraco dele. Fernando teve de fazer treinos intensos e levar muitos puxões de orelha de Fernanda Keller para aprender a nadar.

Outra luta de Fernando é com o psicológico. Colocou na cabeça que precisa representar o Exército brasileiro e os cegos, ou seja, muita pressão sobre seus ombros.

Morador de Florianópolis, leva a vantagem de treinar no local do Ironman. Foi o melhor dos três nos testes de esforços pré-programa.


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Foto: Eric Romar