Cotado Para 2016, Solberg Desabafa: "se Fosse De Outro País, Teria Ido A Três"

Desde os tempos em que ainda jogava na quadra pelo Fluminense, há 20 anos, Pedro Solberg já era apontado como o futuro do vôlei brasileiro. Filho da ex-jogadora Isabel e irmão de Maria Clara e Carol Salgado, se encontrou nas areias e, aos 22 anos, tornou-se o mais jovem campeão do Circuito Mundial de vôlei de praia, ao lado de Harley, em 2008. Naquele ano, ficou a uma vitória de conquistar a vaga nas Olimpíadas de Pequim. A menos de um ano para Londres 2012, se viu envolvido em um polêmico caso de doping, perdeu a chance de atuar ao lado de Ricardo às vésperas dos Jogos e foi suspenso pela Federação Internacional (FIVB) por testar positivo para o esteroide exógeno androstane. No entanto, a amostra guardada no único laboratório credenciado pela Agência Mundial Antidoping (WADA) no Brasil, o Ladetec, apresentou irregularidades e foi solicitada uma contraprova. O terceiro exame, realizado na Alemanha, deu negativo e provou a sua inocência. Hoje, as cicatrizes não importam mais. Aos 29, ele é um dos mais cotados a representar o país no Rio 2016, ao lado de Evandro.

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- Eu nunca tive a oportunidade de ir às Olimpíadas. Mas eu tenho a certeza de que se eu fosse de qualquer outro país eu teria ido a três, pelo menos. Você conquistar uma vaga olímpica sendo brasileiro já é uma vitória muito grande e, buscar uma medalha depois, uma vitória maior ainda. É uma luta enorme. Uma batalha muito pesada conquistar a vaga. Eu já passei por tudo. Em 2008, era muito garoto e perdi uma vaga que bastava ter ganhado um jogo a mais. Foi por muito pouco. Mas foi uma experiência, eu errei muito naquele ano, perdi muito o meu foco com muitas coisas extracampo, mas era garoto mesmo e faz parte. Faz parte da minha história e eu não me arrependo de nada. Na outra Olimpíada, sem dúvida, me passaram a perna. Passei por muitas dificuldades, mas que são águas passadas e eu não aguento mais falar. Não importam mais. São cicatrizes que a gente carrega para a vida e faz parte da minha história - desabafou Solberg. 

Juntos desde novembro do ano passado, Pedro e Evandro ocupam a terceira colocação do ranking mundial, colados nos holandeses Nummerdor e Varenhorst, em segundo. Os líderes são Alison e Bruno Schmidt, garantidos nos Jogos Olímpicos, assim como Larissa e Talita. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) anunciará a escolha das duplas restantes, uma no feminino e outra no masculino, em janeiro de 2016. Outra dupla com chances de conquistar a vaga entre os homens é Ricardo e Emanuel, campeões olímpicos em Atenas 2004. Os veteranos retomaram a parceria no ano passado em busca do bicampeonato. 

- Meu maior foco é a classificação. Tudo o que eu mais quero é me classificar, não vai ser mole, e eu vou fazer de tudo para buscar essa vaga. Vamos trabalhar bastante. A CBV escolhe a outra vaga. Às vezes, as pessoas acham isso confuso, mas a gente sabe que a CBV vai querer o melhor para o país e vai levar quem estiver melhor. Se as Olimpíadas fossem hoje, seria justo que Alison, Bruno, eu e Evandro estivéssemos representando o Brasil. Mas o Ricardo e o Emanuel são uma dupla muito forte também. Eles estão em nono, mas têm totais condições de reverter este quadro. Mas eu e o Evandro vamos nos manter fortes e, independentemente do resultado deles, vamos fazer de tudo para ficar lá no topo - disse Pedro. 

O último compromisso da dupla foi o Rio Open, etapa válida pelo Circuito Mundial e evento-teste para as Olimpíadas de 2016. Pedro e Evandro foram eliminados nas oitavas de final por Guto e Saymon, algozes de Alison e Bruno Schmidt na disputa pelo bronze. Os campeões foram os letões Samoilovs e Smedins. Eles superaram os Fluggen e Borckermann, da Alemanha, pelo placar de 2 a 0 (15/21 e 23/25). No feminino, Larissa e Talita conquistaram a medalha de ouro.