Brasília Recebe última Etapa Do Campeonato Brasileiro De Basquete 3x3

É comum ver grupo de amigos improvisando brincadeiras e jogos quando faltam jogadores para uma partida de algum esporte, seja ele qual for. No basquete, não é diferente. Com três jogadores de cada lado, a modalidade 3x3 nasceu nas ruas e hoje integra o quadro dos esportes olímpicos que serão disputados em Tóquio-2020. Diferente do formato tradicional, que conta com cinco jogadores de cada lado da quadra e está solidificada nos quatro cantos do mundo, o 3x3 está em desenvolvimento no Brasil. A capital entra na rota dos eventos e recebe, no fim do mês — 26 e 27 de agosto —, a última etapa do Campeonato Brasileiro.

No mês passado, foram definidos os times do Distrito Federal classificados para a final. Mesmo sem muita tradição no cenário, as equipes brasilienses se mostram confiantes para a conquista do título. Kennedy do Nascimento, 26, Victor Mateus, 24, Kelvis Lima, 26, e Elton Sabino, 32, formam os Hot Boys, grupo que vai representar a cidade na categoria open masculino. O quarteto — um integrante fica na reserva — chegou invicto na decisão e conta com o entrosamento e a experiência para continuar com o bom aproveitamento.

O esporte uniu o grupo de amigos que se conheceu jogando basquete em uma quadra na Cidade Ocidental (GO), onde todos moravam quando pequenos. Desde os 15 anos, eles disputam o 3x3 e estão acostumados com o estilo dinâmico exigido pela modalidade. “A gente nunca tinha jogado o basquete tradicional. Começamos a brincar na rua, no que hoje é chamado de 3x3”, comenta Kennedy, o capitão da equipe. Atualmente, os meninos também jogam o formato tradicional em times diferentes da Liga de Basquete do Distrito Federal e Entorno.

Brincando

No 3x3, eles atuam juntos desde 2015. O primeiro torneio foi o NBA 3X, no qual a equipe venceu a etapa de Brasília, chegou à final no Rio de Janeiro e ficou em segundo lugar. Os meninos atribuem as conquistas ao fato de se conhecerem bem dentro de quadra. “A gente já brincou disso por muito tempo. Parece que sabemos onde o outro estará e o que vai fazer”, conta Kelvis.

O marceneiro, que vira atleta nas horas vagas, conta que os treinos são escassos por conta das ocupações de cada um. Kennedy é advogado, Victor trabalha como torneiro mecânico e Elton, como empresário. “Hoje, fica difícil se encontrar para treinar, porque cada um tem seu trabalho e a vida pessoal”, explica. A vontade de se tornar profissional não é a mesma da adolescência. “Essa inclusão do 3x3 tinha que ter acontecido quando a gente tinha 15 anos”, brinca. Atualmente, os encontros ocorrem aos fins de semana. Ou seja, o basquete é um hobby.

A falta de torneios de 3x3 em Brasília também é um dos motivos que fizeram o esporte se tornar apenas uma diversão. “Aqui, a modalidade está muito defasada, mesmo porque o único campeonato de trio que jogamos é esse que a Confederação Brasileira de Basquete promove”, analisa Kennedy. Sem a infraestrutura necessária, os estados mais fortes continuam sendo Rio de Janeiro e São Paulo.

Massificação é o objetivo para a CBB

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) criou o programa Caça Talentos, em maio deste ano, para disseminar a modalidade no país. Com a aproximação de um novo ciclo olímpico, a CBB promove ações de capacitações de técnicos, dos preparadores físicos e dos próprios atletas em busca de novos talentos. Francisco Oliveira, 57 anos, é um dos responsáveis pelas ações. O gerente de desenvolvimento do Basquete 3x3 da CBB esclarece que o trabalho é necessário, já que a modalidade é nova e muitos não a conhecem. O primeiro Campeonato Mundial masculino adulto aconteceu em 2012.

“A finalidade é dar capacidade aos jogadores para eles terem o entendimento do que fazer dentro de quadra”, esclarece. Essa compreensão é importante porque as habilidades são diferentes daquelas usadas no basquete tradicional. “No 3x3 não existe uma posição fixa. Você tem que fazer um pouco de tudo”, analisa Francisco, que começou a trabalhar com a modalidade em 2004, após um campeonato que presenciou em Hong Kong. Antes disso, era técnico de vôlei de praia da campeã olímpica Jaqueline Silva.

Critérios

Agora, mais do que promover grandes eventos, a modalidade é esperança de medalhas. O gerente da modalidade da CBB diz que ainda é cedo para pensar em pódio, já que nem os critérios de classificação para os Jogos Olímpicos foram definidos pela Federação Internacional de Basquete (Fiba). De acordo com a entidade, oito países vão disputar as partidas de 3x3 nos Jogos de Tóquio-2020. “Hoje, os países europeus estão bem à frente de todos, porque se organizaram e têm uma boa estrutura”, destaca. 

Uma nova oportunidade

Para o jogador profissional Leandro Souza, 33 anos, a modalidade se desenvolveu mais rápido na Europa por questões econômicas. “O Brasil está muito bem. No nível técnico, o nosso basquete está igualado, mas, por conta de problemas econômicos, a estrutura de fora é muito melhor”, analisa o brasileiro, 36º do ranking mundial de 3x3. Pessoalmente, a inserção é a chance de realizar mais um sonho.

No início deste ano, ele realizou um antigo desejo. O carioca, que joga basquete 3x3 desde os 15 anos, se tornou um jogador profissional no Japão. Ele é o primeiro brasileiro a assinar um contrato da modalidade. Desde junho, atua pelo time Yokohama City. “A inclusão nos Jogos Olímpicos me permite ter outro sonho: representar o Brasil em uma Olimpíada”, comemora.

Leandro vive a chance de se dedicar só ao basquete. “Estou aproveitando muito. Aqui, eu não preciso trabalhar e, depois, ir treinar cansado”, diz Leandro, ao lembrar a época em que foi pedreiro, segurança, garçom e auxiliar administrativo em uma empresa de viagens para bancar o esporte.

Língua

Hoje, a maior dificuldade é a língua, já que ele não fala japonês nem inglês. Leandro joga ao lado de um sérvio, um norte-americano e um japonês. “Às vezes, a comunicação do time fica difícil. A gente perde um jogo e não tem como se expressar”, comenta. Para isso, o brasileiro estuda inglês nas horas vagas. “Como ainda não ganho muito dinheiro, eu estudo por conta própria. Peço a ajuda para alguns amigos e assisto a vídeos”, conta.

Entenda o jogo

Em uma quadra de tamanho 15m x 11m, com apenas uma tabela, dois times formados por três jogadores se enfrentam. Cada equipe tem mais um jogador do lado de fora, que pode entrar em quadra quando a bola não estiver em jogo. A partida dura 10 minutos — quem estiver na frente do placar vence. Caso um time alcance 21 pontos antes do fim, é declarado vencedor. Com essas características, o esporte se torna mais dinâmico e exige mais do físico do atleta.



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