Filhos Movem Velejadora Fernanda Oliveira Atrás Da Sexta Olimpíada

A velejadora Fernanda Oliveira vai tentar chegar à sua sexta Olimpíada seguida na classe 470. Uma das atletas mais experientes da seleção brasileira de vela já voltou aos treinos após o nascimento de seu filho Arthur há seis meses. Ela esteve em Sydney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008), quando ganhou uma medalha de bronze ao lado de Isabel Swan, Londres (2012) e Rio (2016).

“Essa é a tentativa da sexta Olimpíada. A diferença é que eu tenho dois filhos para fazer a gestão da família junto com a campanha. Para os Jogos do Rio eu já tinha a Roberta, agora tem ela e o Arthur, mas a vantagem é que sigo com a mesma dupla. Conversei com a Ana Barbachan e optamos por continuar. Acho que será um ciclo de bastante desafio, com os Jogos longe de casa, no Japão. Isso tudo vai ser diferente para gente”, comenta a atleta.

Ela não é um caso isolado na vela. A própria Fernanda conta que outras velejadoras da classe 470 decidiram ter filhos depois dos Jogos do Rio, tornaram-se mães e já estão retornando ao esporte. Aos 37 anos, ela sabe que tem condições de competir com suas adversárias. “A experiência ajuda bastante. Não estou numa fase em que dá para ser considerada velha para a 470. Claro que existem velejadoras mais novas, outras mais velhas e experientes, mas a idade não prejudica”, diz, admitindo que é preciso cuidar do preparo físico.

Para os Jogos de Tóquio, ela sabe que a caminhada é longa, mas garante que tem um estímulo em casa com a filha mais velha se interessando pelo esporte. “A Roberta já entende tudo. Quando acabou os Jogos Olímpicos no Rio, ela virou para mim e mostrou que entendia tudo direitinho. Ela pergunta se ganhou, quantos barcos chegaram na frente.”

Na última edição da Olimpíada, em casa, ao lado de Ana Barbachan, ela ficou na oitava posição. A dupla brasileira é competitiva internacionalmente e vem mantendo bons resultados. Agora Fernanda vai em busca de uma nova participação nos Jogos, desta vez com a família ampliada. O que poderia ser uma dificuldade a mais para muitos atletas é uma motivação extra para ela.

“Por isso que acho importante ter a minha vida pessoal, não deixar de ter os meus filhos e tentar voltar à competição. Claro que tenho de ter uma compreensão gigante da Ana, que veleja comigo, outra do meu marido, enfim, tem de ter toda uma estrutura para fazer essa roda girar. Mas a ideia é que consiga me concentrar a maior parte do tempo no que eu preciso fazer para ter um desempenho melhor”, conclui.


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Foto: Nilton Fukuda/Estadão