Mundial Recoloca Natação Brasileira Em Destaque Positivo

O Mundial de Esportes Aquáticos, encerrado neste domingo, em Budapeste, colocou novamente a natação brasileira em destaque em âmbito internacional. E de forma positiva. Após o fiasco nos Jogos Olímpicos em casa, em 2016, com delegação recorde e com um quinto lugar como melhor resultado, o país foi notícia no mundo inteiro por causa da prisão de seus dirigentes acusados de desvio de dinheiro público.

Agora, os nadadores, principalmente eles, mudaram o tom das manchetes. Ênfase absoluta para três conquistas: a prata do revezamento 4x100m, livre, que subiu ao pódio após 23 anos em mundiais (foi bronze na edição de Roma-1994) e 17 anos em competições relevantes (último pódio foi o bronze nos Jogos de Sydney, em 2000). A prata de Bruno Fratus, em sua melhor fase da carreira. E o ouro nos 50m, costas, de Etiene Medeiros, que se tornou a primeira mulher do país a ganhar o título mundial em piscina longa.

Quem viu a prova do revezamento 4x100m, livre, não esquecerá tão cedo. Gabriel Santos (48s30), Marcelo Chierighini (46s85; excelente tempo), Cesar Cielo Filho (48s01) e Bruno Fratus (47s18) obtiveram a marca de 3m10s34, recorde sul-americano. A briga pelo ouro foi de tirar o fôlego e o país nunca esteve tão perto de vencer os americanos na prova.

O RETORNO DE CIELO

Esse medalha também marca a volta, de fato, de César Cielo, que ficou parado por quase um ano. Ele perdeu os Jogos Olímpicos do Rio e ainda busca a melhor forma. Em entrevista ao GLOBO antes do Mundial, Cielo contou que pensará temporada a temporada e que sua meta é chegar aos melhores tempos que já obteve. Nada mirabolante, como ele mesmo explicou.

Ainda recordista mundial nos 50m e 100m, campeão olímpico, dono de dois bronzes em Olimpíadas e seis ouros em Mundiais (piscina longa), ele não havia subido ao pódio em prova de revezamento nesta competição. Suas melhores colocações eram dois quartos lugares (4x100m, livre, e 4x100m, medley, em Roma-2009). Sua volta é uma notícia excelente.

Bruno Fratus, que sempre perdia para Cielo nas competições mais importantes, finalmente derrotou o compatriota e se consagrou como o melhor nadador do Brasil na atualidade. Além da prata em Budapeste, foi bronze no último Mundial, em Kazan-2015, na mesma prova.

No Mundial de Xangai, em 2011, Cielo foi campeão e Fratus, quinto. Na Olimpíada de Londres-2012, Cielo foi bronze Fratus, quarto.

Fratus está em sua melhor fase. Comemorou o melhor tempo da carreira (21s27) e o "fim do pesadelo" da Rio-2016. Palavras do próprio. Ele explicou que no Rio sabia que não estava tão bem e que isso foi uma "tortura": cair na piscina para não render o que sabia que teria condições de mostrar. Isso foi um pesadelo.

O BRILHO DE ETIENE

Etiene, ouro nos 50m, costas, com 27s14, novo recorde das Américas e terceira melhor marca do mundo, coleciona quebra de tabus. Já foi a primeira mulher do país a ganhar medalha em Mundial em piscina curta, primeira mulher a ganhar o ouro em Mundial de piscina curta, dona do primeiro ouro feminino da história do país em Jogos Pan-Americanos, e agora, a primeira campeã mundial em piscina longa.

É necessário destacar que a prova dos 50m, costas, não faz parte do programa olímpico (nesta distância, apenas os 50m, livre, é disputado nos Jogos). Na Rio-2016, Etiene chegou a ir à final dos 50m, livre, e terminou em oitavo lugar. Nos 100 m, costas, que não é a sua especialidade, terminou na 25ª posição.

Em Budapeste, a atleta comemorou a conquista e disse, com todas as letras, que não está "nem aí" para quem desmerecer sua conquista porque a prova não está entre as olímpicas. Ela prefere essa distância.

RECUPERAÇÃO APÓS RIO-2016

E a pergunta que se faz é: Como o Brasil que foi mal na Rio-2016 conseguiu sua segunda melhor campanha da história em número de medalhas em Mundiais logo depois?

Alberto Silva, um dos técnicos do Brasil e de Cesar Cielo, acredita que o resultado dos Jogos do Rio é que foi atípico. A natação está voltando aos trilhos.

Essa é a sua segunda melhor campanha do Brasil em Mundiais em número total de medalhas. Foram oito pódios no total: dois ouros, quatro pratas e dois bronzes (somando natação e maratona aquática, com três pódios de Ana Marcela Cunha).

Em Barcelona-2013, o país obteve o maior número de medalhas (10) e em Xangai-2011, o maior número de pódios dourados, com quatro vitórias.

Na última edição, em Kazan-2015, o Brasil ganhou sete medalhas: um ouro, quatro pratas e dois bronzes.


O GLOBO

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Foto: CHRISTOPHE SIMON / AFP