O Drama De Tóquio-2020: Pâmella Oliveira Pode Desistir Da Olimpíada

Passados quase dois anos do fim da Olimpíada do Rio de Janeiro, a apreensão quanto ao próximo ciclo olímpico preocupa a triatleta Pâmella Oliveira. A troca de comando no governo federal, que deixou suspensa a continuidade dos programas de apoio a esportistas de modalidades olímpicas, e o escândalo de corrupção envolvendo Carlos Arthur Nuzman, então presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o que colocou ainda mais em risco os patrocínios privados, são apenas dois motivos que levam a capixaba a crer que o suporte dado aos atletas para Tóquio-2020 não será dos melhores.

E Pâmella Oliveira conhece muito bem o território em que está pisando. Depois de disputar as olimpíadas de Londres-2012 e Rio-2016, a atleta falou com propriedade sobre a crise financeira que assola não somente o triatlo brasileiro, mas todas as modalidades olímpicas. Além disso, a capixaba, natural de Vila Velha, foi firme ao analisar a falta de planejamento da Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri).

“Está complicado para nós, atletas, conseguirmos pensar sobre o futuro no seguimento. Claro que tenho o sonho de voltar a disputar minha terceira olimpíada, mas é cada vez mais difícil ter apoio para me preparar para esse objetivo. Tenho patrocinadores pessoais, porém, em uma olimpíada só é permitido usar os patrocinadores do COB. Com isso, tudo piora. Afinal, qual empresa vai querer seu nome ligado a instituições envolvidas em escândalos? Eles vão pensar: Vou colocar meu dinheiro nos caras que querem me roubar?” disparou Pâmella.

Mesmo com a chama de Tóquio acesa no coração, Pâmella reconhece que se dedicar somente ao Circuito Mundial, que atua como seletiva olímpica, hoje é praticamente impossível. Para se manter financeiramente, Pâmella tem disputado provas de Ironman - seguimento do triatlo com longas distâncias: "Se não for assim não consigo nem pagar minhas contas", explicou.

Capixaba soberana no mar

Pâmella Oliveira à todo vapor. Para se manter em sua melhor forma, a atleta capixaba tem se reinventado dentro da modalidade. Aos 30 anos, ela resolveu testar pela primeira vez na temporada 2018 sua estrutura corporal e psicológica e entrou no mar para encarar a Travessia da Sepultura, prova que aconteceu na Praia de Bombinhas, em Santa Catarina. E, sem fazer muito esforço, Pâmella garantiu o lugar mais alto do pódio no torneio. O ouro na competição veio após a capixaba ficar com o melhor tempo na categoria feminino. A prova, apontada pela própria esportista como sendo de baixo nível de dificuldade, serviu como treino visando os desafios que estão por vir durante o ano.

“Ano passado também disputei a travessia e a chegada na reta final foi mais apertada. Esse ano, mesmo sem eu me preparar como deveria, tive mais facilidade para vencer. No masculino que foi mais apertado. Mas ainda assim foi bom ter nadado o percurso, pois me motiva a iniciar o ano mais concentrada, mais focada. Não foi uma prova de triatlo, mas aprimorar o nado foi bacana”, disse.

Sobre o calendário de provas para o restante da temporada, Pâmella mantém a cautela: “Meu foco está no Ironman e tenho treinado para isso. Mas vamos ver o que acontecerá.”


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Foto: Wagner Araújo/Rita Oliveira