Os Representantes De Brasília No Ironman Do Havaí

Três brasilienses, um objetivo em comum e várias dificuldades para superar. Rafael Diniz, 38 anos, Vicente Saraiva, 39, João Carlos de Almeida, 40, são os três representantes da capital classificados para disputar o Mundial de Ironman, em Kona, no Havaí, no próximo sábado (14/10). Enquanto João vai para a sexta prova e Rafael, para a segunda, Vicente faz a estreia. Mais do que a superação individual, ele conta com a ajuda dos amigos para alcançar a meta de completar a prova. Para isso, é necessário nadar 3,8km, pedalar 180km e correr 42,2km.

A vaga na competição veio em maio, no Campeonato Latino-Americano de Ironman, em Florianópolis. O Distrito Federal foi representado por mais de 100 atletas, mas apenas os três amigos se classificaram para o Mundial. A amizade começou por causa do triatlo. Tiveram o primeiro contato em provas e, mais tarde, começaram a treinar juntos. “Com o esporte em comum, nós vimos que a gente tinha as mesmas ideias”, relembra João.

Desde cedo, eles praticam a modalidade. Vicente começou aos 14 anos, ao encontrar no triatlo uma forma de emagrecer, uma vez que sofria de sobrepeso na infância. “Comecei a fazer por isso e fui me apaixonando aos poucos pelo desafio diário de superar limites”, conta. João, o mais experiente, admite que começou pelo modismo — triatletas como Leandro Macedo, Alexandre Manzan, Mariana Ohata e Bruno Gagliardi levavam o nome de Brasília para o resto do país. Aos 13 anos, resolveu arriscar e nunca mais parou. “O circuito brasiliense de triatlo infantil tinha muitas provas. 

Era o esporte do momento à época e isso foi uma grande motivação para mim”, lembra. Rafael acabou influenciado por amigos do colégio e, aos 12 anos, competiu pela primeira vez.

Desafios

Com o passar dos anos, a amizade se intensificou. E as competições, também. Os desafios, agora, são maiores. A expectativa é diferente, já que os triatletas vivem momentos distintos, mas o maior objetivo é completar a prova no Havaí. A estratégia de Rafael é usar a experiência que não tinha há 15 anos, quando estreou na prova. Em 2002, o educador físico tinha 24 anos e não fez uma competição tão boa. “Hoje, eu me sinto muito mais preparado. 

Acho que vou chegar na minha melhor forma”, analisa. Para Vicente, tudo é uma novidade, já que é a primeira vez do cineasta no mais famoso circuito do mundo. A expectativa do novato é grande.“Tudo que eu via no videocassete, eu vou poder testemunhar ao vivo”, lembra.

O terceiro amigo tem a experiência como trunfo. João, que é educador físico, vai para o sexto Ironman no Havaí. Apesar da vantagem, ele garante estar engasgado com as duas últimas provas que fez em Kona. Em 2007 e 2013, João não conseguiu terminar. “Estou devendo isso. Tenho em mente que preciso fazer uma prova mais contida para terminar”, considera.

Corpo e mente trabalham juntos

A longa prova exige tanto do físico quanto da cabeça. Os treinamentos específicos, segundo os competidores, são essenciais para os dois lados do preparo. Além de comparar percursos, subidas e medir o tempo, são os treinos que dão confiança aos atletas. “Com eles, você vai vendo que é possível completar”, garante João. Além disso, a parte mental é importante para o triatleta visualizar possíveis estratégias para seguir na prova. Rafael acredita que 70% do desempenho no dia da prova pode ser atribuído aos treinos — e 40%, à mente.

Para isso, os amigos treinaram juntos e dificultavam o percurso a cada treino. “A prova lá é muito mais difícil do que essa de Florianópolis”, lembra João. Para imitar a condição do percurso do Havaí, o trio optou por testar mais subidas e saíram para treinar no horário em que o sol estava mais quente. Até mesmo o fuso horário — sete horas a menos que no Brasil — influencia. Para isso, eles embarcaram na última quinta-feira — as passagens foram adquiridas pelo programa Compete Brasília, da Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do DF —, a fim de não sofrer com o jet lag.

Praticantes de triatlo desde a infância, eles afirmam que toda prova de Ironman é diferente. “O que nos chama a atenção, até hoje, é esse novo desafio que cada competição propõe”, afirma João. Para Rafael, o triatlo é um estilo de vida e um “medicamento”. “É o remédio mais barato que tem. Você dorme e come melhor”, afirma. Vicente concorda e atribui ao esporte diversos ensinamentos aprendidos. “O triatlo me deu uma identidade e me faz superar vários limites”, acredita o cineasta. 


Perfil dos atletas 

João Carlos de Almeida 

40 anos

Educador físico 

6ª vez no Ironman em Kona, no Havaí 

2º colocado da categoria 40 a 44 anos no Campeonato Latino-Americano de Ironman, com o tempo de 8h58min 

Começou a praticar triatlo com 13 anos


Rafael Diniz

38 anos

Educador físico

2ª vez no Ironman  em Kona, no Havaí 

19º colocado da categoria 35 a 39 anos no Campeonato Latino-Americano de Ironman, com o tempo de 9h24min 

Começou a praticar triatlo com 12 anos


Vicente Saraiva

39 anos

Cineasta 1ª vez no Ironman em Kona, no Havaí

9º colocado da categoria 35 a 39 anos no Campeonato Latino-Americano de Ironman, com o tempo de 9h05min

Começou a praticar triatlo com 14 anos


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Foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press