Brasileira é A única Do País Entre As 184 Atletas Na Disputa Do Draft Da Nwsl

O sonho de jogar futebol profissional nos Estados Unidos está mais próximo para 184 meninas. Elas fazem parte do seleto grupo selecionado para a disputa do draft nesta quinta-feira promovido pela National Women's Soccer League (NWSL), em Los Angeles. O sonho de virar uma jogadora no país pode ocorrer para essas universitárias, entre elas, apenas uma brasileira de 22 anos, Carol Rodrigues. Há quatro anos, ela decidiu estudar no país. Após se formar no ensino médio, viu que no Brasil não conseguiria jogar futebol – já atuava por aqui - e ao mesmo tempo cursar uma universidade. Para não ter que optar entre um e outro, seguiu para a América do Norte.

- Quando eu jogava no Brasil eu não queria largar os estudos. E no Brasil é diferente. Jogava por clubes no país. Quando terminei o ensino médio fui fazer faculdade nos Estados Unidos. Lá os atletas ficam aptos a jogar profissional depois que terminam a faculdade. Joguei em Nova York por dois anos e me formei lá e depois me transferi para a Flórida, onde fiquei mais dois anos em Miami (na Florida university) – afirmou Carol ao Dona do Campinho.

No último ano da faculdade, as atletas podem se inscrever no draft. Foi o que Carol fez. Já tendo alguns períodos de treinamento no Orlando Pride e formada em Integrated Business,  ela decidiu arriscar. Conseguiu avançar entre as disponíveis para serem selecionadas, mas acredita ser difícil ser contratada como profissional no evento da NWSL. Isso porque ela não possui cidadania americana e os clubes geralmente não gastam uma das três vagas internacionais que possuem em jogadoras mais novatas. Ao menos, Carol teve seu talento reconhecido pelo treinador do time de Orlando, que desejaria contar com ela caso fosse americana.

 - O draft é aberto para o último ano de faculdade. Os times escolhem as que mais se interessam. Treinei no Orlando Pride e eles gostaram bastante de mim. Mas ser permitido somente três jogadoras internacionais por time dificulta minha situação. Pelo fato de serem americanas é melhor. O técnico falou que se eu tivesse a cidadania americana ele me escolheria. Não mantenho expectativa muita alta pela cidadania, mas os times que têm interesse em mim mesmo que eu não vá pelo draft posso ser escolhida como Discovery player, outra maneira de contratar uma jogadora. Para isso, a pessoa não pode ser escolhida no draft.

Apesar da possibilidade baixa de ser escolhida, como ela mesma relata, Carol não perde a esperança e também não vê como fim do mundo caso esse passo não chegue agora. Fez sua inscrição “por não ter nada a perder” e caso não ocorra ela já pensa em outras possibilidades.

- Espero que aconteça algo inesperado, mas é mais difícil eles gastarem uma escolha deles com internacional.  Essa opção eles pegam as atletas que vêm de seleções nacionais. Num patamar elevado e não saindo da universidade. Eu estou sendo agenciada pela OBS players e eles estão me ajudando e também meus técnicos. O draft eu coloquei meu nome porque não tenho nada a perder.Mas não é o fim do mundo se não for escolhida. Posso jogar na Europa ou outros locais.

Nos quatro anos passados no futebol dos Estados Unidos, ela pode conferir uma diferença vital em relação ao Brasil na formação das atletas na base: a parte física recebe muita atenção. Além disso, a velocidade do jogo é bem maior.

- A parte física porque nos Estados Unidos eles formam o atleta independente do esporte. A parte física evoluiu bastante e a velocidade do jogo. Técnica, no Brasil a gente se sobressai mais, mas nos Estados Unidos a parte física foi bastante priorizada.

Nesses últimos meses, nos treinos que teve no Orlando Pride, ela contou com uma famosa companheira. Antes de acertar a ida para o Lyon, da França, Alex Morgan esteve por lá para um período de trabalho. Carol conseguiu ver de perto a idolatria dos torcedores pela jogadora americana e definiu: a atleta da seleção é tratada como rainha.

- Nos Estados unidos, as jogadoras da seleção são até mais importantes que a masculina. Diferente do Brasil. Alex Morgan é rainha. Nesse período de transição (atualmente é atleta do Lyon), ela estava sem clube e pediu pra minha técnica para fazer períodos de treinamento com a gente em Orlando. Ver a Alex Morgan treinar com a gente foi bastante gratificante e fiquei feliz. É uma pessoa ótima e simpática. Mais valorizada até que Marta, que tem muito mais bagagem e prêmios.

No draft desta quinta-feira, das 184 candidatas, 154 são americanas, 12 canadenses,  três alemãs, uma inglesa, uma norueguesa, uma com cidadania espanhola e americana, uma com cidadania mexicana e americana, uma japonesa, duas com cidadania americana e canadense, uma britânica (não teve especificado a qual local do Reino Unido ela pertence), uma holandesa, uma originária da Costa Rica, uma com cidadania americana e jamaicana, uma escocesa, uma com cidadania inglesa e belga e uma neozelandesa, além claro da brasileira Carol Rodrigues. A ordem de escolha das equipes é de acordo com a colocação na tabela do campeonato disputado em 2016.

Morando  e trabalhando com futebol já há alguns anos nos Estados Unidos, Marcia Tafarel, uma das grandes jogadoras da seleção brasileira no passado, conta que a liga universitária tem um nível elevado e há até mesmo premiação para as melhores como no profissional. A disputa ocorre normalmente entre agosto e dezembro.

- O nível é muito elevado. Afinal, os colleges  tem toda uma estrutura de treinamento por trás – conta Tafarel.

A estrutura já vem desde a formação das jogadoras. Por aí começa uma história de sucesso que já deu medalhas de ouro e títulos mundiais à seleção feminina dos Estados Unidos. Não se conquista nada sem organização e investimento desde a base.

Globo Esporte

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