Etiqueta Nas Academias: Em Forma E Em Harmonia

Você chegou na academia, disse “bom dia” em alto e bom som e ninguém respondeu? Começou a andar na esteira e logo viu o fortão lá no fundo levantando muitos quilos e pingando suor freneticamente sem ter uma mísera toalha que ele pudesse se enxugar? Ou viu uma disputa insana para ver quem chegava primeiro ao leg press?

Talvez suas manhãs na academia, dedicadas para aliviar a carga tão pesada dos dias de hoje e manter a forma, tenham se tornado uma experiência não muito agradável. Assim como em qualquer ambiente, a educação e as regras de etiqueta ajudam numa melhor convivência. 

“A etiqueta é um conjunto de regras para se viver melhor em sociedade, que regem comportamentos. Infelizmente, acho que falta educação para as pessoas conviverem em ambientes comuns”, afirma a consultora em etiqueta Ligia Marques. 

A especialista acredita que há individualismo em todas as áreas. “É crescente”, afirma. “E acho que vamos passar por fases ainda bem piores para se chegar a um equilíbrio. Cabe a cada um de nós tentar mudar.”

Tudo no lugar

A professora das Faculdades Integradas de Jaú (FIJ) Paula Grippa Santana também comenta sobre a educação em academias. Ela cita, como exemplo, a questão de alunos que deixam pesos e equipamentos espalhados no ambiente. 

“O professor de educação física ou o responsável pela sala de musculação tem de orientar os alunos. Não é justo com o professor, que não está aquecido, sair carregando um peso de 40 quilos para colocá-lo no lugar”, explica Paula, que é doutoranda em fisiopatologia em clínica médica. “Se cada um fizesse a sua parte, não teríamos problemas com aparelhos, equipamentos espalhados”, complementa. 

Para ajudar na boa convivência na hora da malhação, o Comércio apresenta dicas das duas entrevistadas.

Conversas

“Tem quem chega, faz o exercício e vai embora – às vezes, é o único momento que ela tem no dia para dedicar a ela mesma e não quer bater papo”, comenta Lígia. “Se alguém chega ao lado do aparelho e começa a conversar muito, será desagradável. É preciso entender que muitos não querem conversar e também há a situação de pessoas tímidas.” 

Suor

São poucas, mas existem pessoas que não suam ou transpiram de forma mínima ao fazer exercícios. A maioria, no entanto, não está livre do suor. “Nem sempre é possível ir de banho tomado na academia, pois muitos saem do trabalho e vão direto. Mas é possível ir ao vestiário e passar desodorante. Além disso, leve toalha pequena e se enxugue cada vez que precisar”, aconselha Ligia.

Pegou, guardou

“A pessoa pega e guarda os equipamentos que usou. Senão, começa a virar bagunça. Você tem de agir como se fosse em sua casa”, recomenda a consultora em etiqueta. 

Gritinhos

Você já deve ter ouvido homem ou mulher levantar quilos e quilos e soltar gritinhos? A professora Paula explica que esses “grunhidos” estão relacionados à liberação de energia e fala como exemplo os tenistas. 

“É como se o atleta conseguisse liberar um pouco mais de energia ao fazer o movimento. Esse fato está relacionado a atletas de alto rendimento, que têm um foco maior”, fala.

Personal

Para os profissionais que trabalham como personal, a professora das Faculdades Integradas alerta para as roupas, que podem interferir na contratação do personal. “Os professores têm de pensar na imagem. Quando você se expõe muito, com muito decote, roupa muito curta, nem todo mundo está preparado para isso. Preservar a imagem é muito importante. Todo mundo vê seu trabalho.”

Divisão de aparelhos

Assim como no trânsito, as academias também têm horários de pico. Geralmente, ocorrem das 7h às 8h30 e das 16h até 20h30, 21h. Com o fluxo maior de pessoas na academia, é preciso saber dividir os aparelhos e ter paciência.

A professora Paula explica que é preciso jogo de cintura de frequentadores e de professores. Ela recomenda aos instrutores que usem o conhecimento para a organização do uso de equipamentos.

“Nesses horários, formular exercícios para um único aparelho não é solução. Não se deve monopolizar. Além disso, veja o tipo de programa de musculação para ter intervalos um pouco maiores. Você consegue colocar um intervalo de um minuto e meio e, nesse período, outro aluno pode usar”, recomenda.

Água fresca

Bebedouro não é pia. “Se o aluno precisar lavar a coqueteleira, deve ir para a cozinha ou espaço adequado para isso na academia. Já vi pessoas lavando frequencímetro, que é o medidor de batimentos cardíacos, no bebedouro, inclusive professor. Isso não está certo”, fala Paula.

Higiene sempre

A professora Paula fala que muitos ainda não creem na importância de se levar uma toalha para malhar. “É uma questão de higiene, uma maneira de se proteger e não ficar em contato com o suor da outra pessoa.”

Ela ainda explica que as academias devem ter o álcool 70% para que as pessoas limpem os aparelhos que forem usados. “Deve-se limpar o equipamento assim que terminar, cumprir essa regra, pois a pessoa está deixando sua imagem, de uma pessoa limpa, agradável”, completa Ligia.


COMÉRCIO DO JAHU

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Foto: divulgação