Estudo Traça Perfil De Saúde Das Gerações

Cada geração tem suas peculiaridades, seu modo de agir e de encarar a vida. As singularidades vão além do óbvio e definem, inclusive, comportamentos e hábitos de saúde nos diferentes grupos. É o que revela o V Estudo Saúde Ativa – Gerações, um levantamento feito pela SulAmérica Saúde e divulgado neste mês.

Foram analisados 43.641 questionários respondidos por uma população distribuída em 262 empresas em 13 capitais do País, de 2010 a 2013. A amostra é composta por 40% de mulheres e 60% de homens.

A pesquisa delimita quatro gerações - baby boomer (de 50 a 68 anos), X (de 38 a 49), Y (de 24 a 37) e Z (até 23). Entre as conclusões que mais chamam atenção está o fato de que a geração Y é a mais estressada delas. Ao todo, 37,1% desse grupo apresentam níveis de estresse elevados. Logo atrás está a Z (35,9%), seguida pela X (31,6%) e pelos Baby Boomers (22,0%).

“O estresse pode ser danoso ou produtivo. O problema para a saúde é quando esse estímulo se mantém por muito tempo. O organismo perde a capacidade de fazer a regulação e as doenças surgem, como ansiedade, depressão, doença de pele e respiratórias”, explica o superintendente Médico de Gestão de Saúde Populacional da SulAmérica, Gentil Jorge Alves Júnior.

Trabalho, dinheiro e relações pessoais são os principais fatores que desencadeiam o estresse, tão presente na vida da geração Y. “Trata-se de um grupo que está no dia a dia das empresas, no mercado, sofrendo as pressões.”

Ainda segundo o levantamento, todas as gerações pesquisadas apresentaram elevados índices de sedentarismo. Mais de 63% dos participantes da geração X informaram que não praticam atividade física ou se exercitam eventualmente, seguidos das gerações Y (60,6%), Baby Boomers (59,6%) e Z (58,7%).

“O sedentarismo já é considerado a principal doença do século. A falta de atividade física está ligada a condições crônica de saúde e ao aumento do peso. Observamos que os Baby Boomers começam a apresentar melhora na prática da atividade física, pois já é uma geração que envelheceu e conta com uma ou mais condições crônicas, por isso começam a se conscientizar. Além disso, é o momento em que a pessoa começa a ter mais tempo, pois se desliga das atividade de trabalho”, diz Alves Júnior. “Na outra ponta, a geração Z mostra tendência a fazer mais atividade física também. Tem mais acesso à informação de qualidade e é um grupo muito preocupado com imagem corporal e aceitação social”, completa.

Outro ponto destacado pelo superintendente é a questão da autopercepção de doenças em relação às doenças de fato. Entre os Baby Boomers, por exemplo, 8,2% declararam ter diabetes, porém 12,9% já apresentavam índices de glicemia acima do tolerado. Na geração X essa diferença é ainda maior, já que apenas 2% tinham conhecimento da diabetes, quando na verdade 6,3% apresentaram sintomas da doença. Pouquíssimas pessoas das gerações Y e Z sabiam já ter diabetes com percentuais, respectivamente, de 0,5% relatados versus 3,3% encontrados, e 0,3% de diabetes relatada versus 2% encontrada.

“Esses números demonstram a necessidade de as pessoas realmente começarem a pensar em prevenção e detecção precoce. A diferença entre doença relatada e medida chama muito a atenção. As pessoas talvez estejam deixando de fazer exames de rotina, e isso pode estar evoluindo para uma condição crônica de saúde que poderia ser tratada em uma fase inicial”, alerta Alves Júnior.

O tabagismo também é um ponto da pesquisa que merece ser ressaltado. Na geração Z, 86% das pessoas afirmaram nunca ter fumado, enquanto mais da metade dos entrevistados da geração Baby Boomers informaram já ter tido contato com o cigarro. “Nenhum outro hábito sofreu intervenção tão grande no País. Houve esforço por parte do governo. Vê-se aí uma tendência de que cada vez mais esse seja um hábito com viés de queda”, analisa.

Flexibilidade é a melhor maneira de evitar choque entre gerações

As gerações se distinguem não apenas pelos perfis variados de saúde, mas também por divergências de opiniões, comportamentos e atitudes, sejam na família, no trabalho ou em qualquer outro núcleo social. As diferenças quase sempre geram estranheza e podem levar ao conflito.

“Podemos pensar da seguinte forma: se sentarmos o bisavô, o avô, o pai e o filho na mesma mesa e começarmos a discutir os temas da atualidade, como conflitos religiosos, mercado de trabalho, sexualidade, legalização das drogas, combate ao crime e outros temas desse nível, teremos uma boa percepção do conflito de gerações”, aponta o psicólogo clínico André Correia.

Para tornar a convivência mais pacífica, a palavra de ordem é tolerância. “Compreender cada fase, o período e o ambiente em que cada geração foi criada é um grande passo para amenizar os conflitos. Impor a mudança é ainda pior. Compreender e se tornar flexível é a melhor solução.”

O psicólogo explica que as características das gerações são definidas a partir da vivência de cada uma delas. Por isso, há que se levar em conta momentos históricos e períodos do desenvolvimento social e tecnológico.

Nascidos no pós-guerra, os Baby Boomers foram a alavanca da reconstrução da sociedade. “Indústria a todo vapor e grandes oportunidades de desenvolvimento também foram responsáveis pela cautela e conservadorismo que teoricamente manteria a integridade por longa data”, pontua.

Já a geração X foi a que vivenciou o nascimento da nova tecnologia - TV a cores, DVD, celulares, e internet. “Essa geração descobriu que as grandes oportunidades dos Baby Boomers não estão mais presentes e que para atingir avanços é necessário o esforço diante da competitividade.”

Ainda segundo Correia, a geração Y por muitas vezes se funde X. “São basicamente os que nasceram com a tecnologia atual já existente. Estão acostumados com os conceitos de tecnologia atual. Devido à alta quantidade de informações estão mais familiarizados com as mudanças e flexibilidades da sociedade.”

Por fim, a geração Z ainda tem o mundo a ser descoberto. “Cresce em velocidade absurdamente alta e sofre de superestimulação, o que lhes confere uma alta capacidade de aprendizagem sobre o mundo em geral, mas ao mesmo tempo sofre do distanciamento que essa velocidade os impõe”, afirma.

Vistas as evoluções até o momento, o especialista tenta prever o comportamento da geração que vem por aí. “Extremamente veloz na sua forma de pensar e agir. Agressiva por instinto e flexível por necessidade. Diante de tantas informações e mudanças repentinas, a próxima geração precisará lidar com as consequências dos atos daqueles que estão no governo agora.”