Emagrecimento: Sobre Ganhos E Perdas

Na busca pelo corpo definido, preferência disparada entre os objetivos relatados pelos praticantes de exercício físico, uma questão sempre surge como ponto polêmico: É possível aumentar a massa muscular e, simultaneamente, reduzir o percentual de gordura? Essa conta não fecha em boa parte dos casos e, quando fecha, as justificativas adotadas pelos profissionais envolvidos não são suportadas pelas evidências científicas. Espero que ao final deste texto, vocês possam compreender melhor alguns conceitos para tirarem suas próprias conclusões:

Antes de tudo, vale relembrar quais são os principais componentes corporais que juntos resultam no seu peso corporal: órgãos internos, ossos, pele, músculos, fluidos (sangue, linfa, urina armazenada na bexiga etc.) e resíduos corporais (alimentos que ainda estão sendo processados no estômago, fezes armazenadas no intestino etc.) constituem o que é conhecido como MASSA MAGRA. Além dos componentes da massa magra, o que mais sobra no seu organismo? Acertou quem falou a GORDURA, incluindo a que compõe as membranas celulares, a gordura circulante na corrente sanguínea, a gordura visceral que reveste órgãos internos e aquela que nesse exato momento apresenta-se logo abaixo da sua pele.

O melhor cenário resultante da combinação de um programa de exercícios físicos e controle nutricional seria justamente uma redução significativa do percentual de gordura e um aumento do volume dos músculos, de tal modo que esses processos ocorressem ao mesmo tempo. Porém, em muitos casos, isso é improvável de acontecer, especialmente para os indivíduos obesos ou com sobrepeso corporal importante.

Imaginem que uma pessoa que está 10 kg acima da faixa de peso considerada saudável para sua idade decidiu procurar um profissional da área de nutrição para orientá-la em relação a um programa de reeducação alimentar. Mesmo considerando todas as especificidades do programa, um dos seus principais objetivos será a restrição das calorias ingeridas. Considerando que os músculos dessa pessoa foram acostumados por muito tempo a receber uma fração da energia proveniente de todas as (muitas) calorias ingeridas anteriormente e agora, com a dieta, essa cota será bem reduzida, como é que haverá disponibilidade de nutrientes suficiente para hipertrofia muscular? Não vai rolar. Mesmo que o indivíduo adote metodologia específica nos seus treinos de musculação, a falta de “material de construção” será um problema quando o assunto é volume muscular.

Ademais existem processos fisiológicos (centrais e periféricos) de ajustes do gasto energético que são ativados durante situações de restrição calórica, ou seja, seu corpo vai lutar contra o processo de emagrecimento acionando mecanismos de compensação para equilibrar o balanço energético, reduzindo o metabolismo de repouso e aumentando a sensação de fome... Pois é, ninguém falou que era fácil.

Resumindo então: É possível aumentar a massa muscular e, simultaneamente, reduzir o percentual de gordura?

• NÃO! Indivíduos podem perder massa magra, incluindo alguma perda de massa muscular, quando estão muito acima do peso corporal e são submetidos a dietas restritivas (adequadas para suas necessidades). Frequentemente nesses casos, os profissionais de saúde envolvidos (Educação Física, Nutrição e Medicina) ajustam suas condutas para ganho efetivo de massa muscular somente após os indivíduos atingirem um percentual de gordura mais próximo dos objetivos determinados. Cabe um aviso: a perda de massa magra deve ser supervisionada de perto para que, nem as funções, nem a forma do paciente sejam comprometidas.

• SIM! Nos casos de indivíduos que estão um pouco acima do peso e que não precisam cortar muitas calorias de sua alimentação ou apenas necessitam reorganizar a distribuição dos macronutrientes é perfeitamente factível “emagrecer” aumentando os músculos. A ideia é realizar esses ajustes nutricionais aliados a um programa de treinamento de força com metodologia específica para hipertrofia.

Sei que para alguns leitores, o conteúdo deste texto não foi muito animador, mas peço que revejam essa posição, pois sabendo o que acontece realmente fica muito mais fácil tomar decisões conscientes e fazer escolhas adequadas.

Bons treinos!


O POVO

Colunas - Rossman Cavalcante

Foto: divulgação