Caça-talentos: Empresário De Vinhedo Revelou Mais De 150 Jogadores De Futebol

O mundo do futebol é uma meta que milhares de meninos desejam alcançar rapidamente. As notícias diárias sobre os milhões e milhões de reais que movimentam as contas bancárias de atletas brasileiros como, Ronaldo Fenômeno e Neymar deixam a falsa impressão de que esse mundo da “bola” é mesmo mágico e que o dinheiro “jorra” como o petróleo das camadas do pré-sal, que o governo federal quer explorar nos próximos anos.

O artilheiro do Corinthians, Ronaldo Fenômeno, afirmou em alto e bom som estar meio de “saco cheio” do futebol (apesar de ele ter um salário vitalício da fabricante de materiais esportivos Nike). Vencedor de duas copas do mundo e com passagens por Real Madrid e Barcelona, o “Fenômeno” desabafou dizendo que 90% dos jogadores de futebol do Brasil recebem apenas um salário mínimo, ou seja, R$ 510. Nada parecido com os milhões do próprio Ronaldo e de Neymar.

Esta informação sobre os baixos salários já havia sido comentada em entrevista ao EPTV.com pelo advogado trabalhista José Antônio Cremasco. O advogado comentou isso em uma reportagem sobre a assessoria jurídica, deficiente, segundo ele, que é oferecida aos atletas brasileiros.

Há algumas décadas, nesta brecha jurídica existente entre o clube e o atleta, surgiu o procurador de atletas. Mais tarde eles evoluíram para empresários de futebol.Um dos empresários que atua nesta área há mais de 30 anos é Olinto Romaneti. Proprietário da New Socker Brasil, ele conta que tem parceria com os principais times do estado de São Paulo e que viaja o país todo na tentativa de descobrir novos talentos. “Faço parceria com escolinhas de futebol em todas as partes do Brasil, onde são programadas e agendadas avaliações. Os que se destacam eu levo para o nosso alojamento em Vinhedo, na Região Metropolitana de Campinas, para fazer novas avaliações e, dentro de uma semana fazemos jogos contra equipes parceiras onde surgem os novos craques,” afirma Romaneti.

O empresário explica que os pais ou responsáveis pelos atletas ficam meio desconfiados quando são abordados por alguém que deseja investir na carreira do filho deles. Mas, segundo Romaneti, uma boa conversa deixa o assunto bem às claras, pois existe um contrato entre os parceiros. E neste compromisso firmado, consta uma cláusula que dá a garantia de uma porcentagem à família do jovem.Na estrutura montada em Vinhedo os futuros atletas recebem todo tipo de assessoria que poderiam precisar. No New Socker Brasil existem médicos, fisioterapeutas, dentistas e psicólogos, além é claro, do fornecimento de material esportivo.

Encaminhamento aos clubes

O empresário de futebol, via de regra, também recebe por parte dos clubes a função de olheiro, que nada mais é também que um descobridor de talentos. Obviamente, os meninos que forem se destacando no centro de treinamentos de Vinhedo começam a ser encaminhados aos clubes conveniados. Romanetti conta que no tempo que atuou como olheiro e funcionário do Paulista Parmalat e Lousano Paulista,descobriu mais de uma centena de novos valores, entre eles está Victor, atual goleiro titular da Seleção Brasileira de Futebol, comandada por Mano Menezes.

Aliás, o próprio Victor reconhece a importância dessa assessoria oferecida por Romaneti. “Foi muito importante eu estar na avaliação, quando tinha 13 anos na cidade de Presidente Venceslau. O Senhor Olinto Romaneti estava na ocasião como olheiro, e me trouxe para o Lousano Paulista e devo a ele estar hoje na seleção brasileira,” completa o goleiro.

O garoto Andrei, da cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul, foi aprovado em uma avaliação e hoje faz parte do grupo de mais de 150 atletas já revelados por Romaneti. “ Olinto me trouxe, estou no Olé Brasil e já existem times grandes interessados em mim” , disse o garoto.

 No domingo (19), com o apoio de empresários e políticos de Vinhedo, Olinto Romaneti organizou uma festa que uniu duas das maiores paixões dos brasileiros: futebol e churrasco. Na praça de esportes do bairro Capela, ele reuniu atlteas formados por ele, como o goleiro Vitor (atualmente no Grêmio e na Seleção Brasileira, os zagueiros Thiago Martinelli (ex-Vasco, São Caetano e Cruzeiro), Asprilla (ex- Paulista, Botafogo-RJ e Guarani), Ailton Luís (ex-Santos), além de dezenas de jogadores amadores que foram dirigidos por ele em equipes como o Malhas Rofe, Franho e Rocinhense.

A Legislação

 Durante muito tempo, houve no Brasil a figura do empresário de futebol chamado de Agente Fifa. Era um profissional independente e credenciado para trabalhar com um atleta até pelo período de dois anos. Em linhas gerais, este profissional possuía um bom relacionamento no mercado esportivo, tendo contato com atletas que estão em disponibilidade e clubes que necessitavam de atletas com determinadas características. Desta forma o agente atuava na intermediação das negociações entre atletas e clubes. Na verdade tudo se resumia ao fato de que existiam agentes esportivos que atuavam pelo lado dos atletas e outros que atuavam pelo lado dos clubes. No Brasil, o agente era conhecido como Empresário de Jogador, Agente de jogador, Agente Fifa, mas, legalmente,eram nomenclaturas diferenciadas para a mesma função.

Um estudo realizado pela Crowe Howard RCS estimou que a partir de 2010, apenas o futebol brasileiro movimentaria cerca de R$ 2,1 bilhões sendo possível prever o montante financeiro que a FIFA passaria a ter controle e fatalmente a cobrar seu percentual pela fiscalização. A receita tributária da entidade aumentaria expressivamente em detrimento a investimentos diversos no mercado interno, justamente no período que antecede a Copa de 2014, onde o governo estaria mais carente de recursos financeiros e orçamentários.

O jornalista Sandro Milani, junto com outros quatro colegas, realizou em 2009 uma pesquisa referente ao futebol, sendo que na elaboração e na conclusão acadêmica do curso de jornalismo eles procuraram detalhar um pouco mais a Lei Pelé, que se tornou um marco no futebol brasileiro e que, ao mesmo tempo, motivou muitas discussões entre clubes, jogadores, empresários e jornalistas. Milani diz que, se você perguntar se a Lei Pelé trouxe mais benefícios ou mais malefícios aos atletas, ele afirma que há divergências. “Se essa pergunta fosse direcionada a jogadores e empresários de futebol, eles dirão que a lei é ótima; já os clubes e alguns jornalistas diriam que muita coisa precisa ser revista,” afirma o jornalista.

Milani destaca ainda que, depois de ouvir muitas pessoas ligadas ao futebol, percebeu que a Lei Pelé é boa para os clubes que possuem uma estrutura sólida, pois dessa forma, conseguem blindar seus atletas. Depois de 12 anos da criação da Lei Pelé, é evidente que ela precisa de alguns retoques, principalmente no que diz respeito à participação dos clubes formadores. O jornalista ainda dá uma receita: se os clubes formadores voltarem a investir nas suas categorias de base, fizerem contratos mais longos e prestigiarem os estes atletas, é perfeitamente possível sustentar vários jogadores. Mas, se a cada ano o clube revelar e negociar três jogadores, ele terá uma receita durante o ano todo. “É preciso planejamento e comprometimento e isso eles não querem porque o futebol é negócio e não paixão,” completa Milani.


VIA EPTV.COM

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Foto: divulgação