Os 5 Pontos Essenciais Da ética Do Profissional De Educação Física

A educação física enquanto disciplina escolar ou atividade física extracurricular, além de ter como objeto principal as pessoas, desempenha importante função no reconhecimento das diferenças, da disciplina dos corpos e na aceitação dos indivíduos em atividades coletivas, sobretudo para os grupos que sofrem com a segregação.

Mais do que isso, a atividade é um espaço de socialização e, portanto, de consolidação da cidadania. Conheça os principais pontos da ética do profissional de educação física que devem orientar a sua conduta pedagógica!

O que é ética?

Antes de destacarmos alguns pontos essenciais da ética desse profissional, é preciso entender corretamente o significado dessa palavra. Frequentemente, o conceito de ética é confundido com o de moral, embora esse seja um grande equívoco.

Ética, que deriva do grego Ethos, diz respeito a certo caráter ou mentalidade que não tem como objetivo ditar aos homens o que deve ou não ser feito. Ela é, na verdade, a ciência que estuda os valores do homem em sociedade, procurando esclarecer ou investigar determinada realidade.

Na concepção do Conselho Federal de Educação Física, o que define a ética do profissional dessa área é o “saber bem”, mas também o “saber fazer bem”. Isso quer dizer que não basta o domínio técnico daquilo que se ensina ou se executa, se não houver a intenção de promover o bem-estar e a dignidade.

1. Trabalhar a humanidade a partir do corpo

A primeira questão ética que norteia o profissional em sua atuação é o respeito aos direitos, às diferenças e limitações dos indivíduos. Assim, cabe ao profissional o respeito às deficiências físicas e cognitivas e às orientações sexuais e de gênero, por exemplo, em uma conduta que elimine por completo qualquer tipo de discriminação ou preconceito.

Não só ele deve estar submetido a esse compromisso com a tolerância como também deve incentivar em seus alunos o comportamento respeitoso, promovendo o pensamento crítico e o diálogo como ferramenta de solução de conflitos e de tomada de decisões.

Assim, garantirá a inclusão dos grupos minoritários ou segregados, proporcionando a eles um tratamento mais humanizado.

2. Adequação às diversas realidades

Um dos grandes diferenciais do bom professor de educação física é saber identificar as particularidades do grupo que está trabalhando a partir de parâmetros como faixa etária e vulnerabilidade socioeconômica.

Para isso, é preciso que o profissional tenha domínio técnico do desenvolvimento cognitivo e psicológico em cada estágio da infância, adolescência e vida adulta, mas que também possua vivência prática e bagagem cultural variada para lidar com realidades diferentes da sua.

Dessa forma, ele estará preparado para aplicar atividades que condizem com as funções motoras e psíquicas dos indivíduos em questão, oferecendo a eles a socialização generalizada e o respeito às suas limitações. Aqui, o objetivo é fazer com que os alunos se percebam como parte integrante de um todo, como agentes transformadores do ambiente.

A atividade física, quando não está descolada do interesse de seu público, também promove o autoconhecimento e a confiança nas capacidades afetiva, física, estética e de inserção social.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, embora as atividades e conteúdos devam ser coerentes com as faixas etárias, o professor de educação física tem autonomia para conduzir sua aula com criatividade. Dessa forma, ele pode propor atividades inovadoras que reafirmem o interesse dos alunos no ambiente escolar a partir da linguagem corporal.

3. Compromisso com a cidadania

Cidadania, sim, tem tudo a ver com educação física. Inclusive, na medida em que colocam os agentes face a face, expostos a uma interação física, jogos contribuem para a compreensão do diálogo e da participação coletiva. Isso ocorre porque, também ali na hora da brincadeira, assim como na política e na sociedade, é preciso respeitar o espaço do outro, seguir regras e defender seus interesses.

Transpor a dinâmica de um jogo para a realidade é uma forma de entender a importância da participação coletiva, do exercício de direitos e deveres, mas também da empatia, da cooperação e do repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito.

Ademais, as dinâmicas da aula também exigem o uso de diferentes linguagens como forma de expressão de ideias e produção de sentido, o que é fundamental para que o aluno possa, no futuro, interpretar e usufruir das produções culturais e políticas.

A escola e a aula de educação física representam, então, uma espécie de demonstração ou prévia do comportamento em sociedade, e daí a importância de uma conduta ética. Os sujeitos são a manifestação de suas individualidades, mas também de suas interações e experiências com o coletivo, e o profissional da educação física pode ser justamente o mediador entre essas interfaces.

4. A regulamentação da profissão

A história da regulamentação da profissão passou por inúmeros percalços até que fosse efetivada em 1998.

Por tratar-se de uma formalização extremamente recente, ainda existem polêmicas sobre, por exemplo, a necessidade de formação para lecionar sobre dança e artes marciais. Outro ponto de discussão é sobre como lidar com profissionais que adquiriram saber prático há muitos anos, mas que não frequentaram os cursos de bacharelado ou licenciatura.

Com a regulamentação, foram criados os conselhos federal e regionais de educação física, aos quais o profissional sério deve estar vinculado e deve prestar satisfações em casos de denúncia ou quebra da conduta ética.

Um ponto importante da regulamentação diz respeito à melhoria da qualidade das aulas de educação física, já que indivíduos sem formação ficam impossibilitados de trabalhar. Isso é importante porque a disciplina era historicamente negligenciada nas escolas e porque, no caso das academias, por exemplo, o praticante de atividade física fica protegido com relação às suas limitações e eventuais lesões.

Ficou determinado, então, pelas vias legais, que o profissional de educação física é especialista em atividades físicas, esteja ele envolvido em qualquer uma de suas manifestações: ginástica, jogos, lutas, atividades rítmicas, acrobáticas, musculação, ergonomia ou qualquer outra que favoreça o desenvolvimento da educação e da saúde.

Da mesma forma, segundo o Conselho Federal de Educação Física, empresas prestadoras de serviços nesse ramo, ao assumirem a responsabilidade de oferecer atividades físicas aos seus beneficiários, direta ou indiretamente, possuem a obrigação de assegurar que as prestações desses serviços estejam de acordo com os parâmetros éticos nacionais.

Essas empresas também devem garantir que seus profissionais estejam devidamente registrados no Conselho.

5. Valorização da cultura brasileira

Pouco se fala do papel do educador físico no reconhecimento da pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, como se arte, dança, cultura e história estivessem desvinculadas das manifestações corporais.

Cabe ao profissional de educação física estudar e conhecer características fundamentais do Brasil em dimensões sociais, materiais e culturais para que se possa, por meio do processo educativo, construir a noção de identidade nacional e pessoal.

Esse é um momento também muito útil para que o profissional se posicione contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe, crenças ou etnia, promovendo a conscientização sobre o respeito à diversidade.

A prática esportiva vem, portanto, de encontro ao processo educativo da sala de aula, podendo ser um espaço de prática das manifestações folclóricas, como a dança, os jogos e brincadeiras. Essas atividades, além de ensinarem sobre códigos de uma sociedade, também têm grande potencial educativo, pois proporcionam a reflexão sobre a própria cultura.

Há de se pensar que, com a progressiva modernização dos brinquedos e com o crescimento das cidades, sobra pouco espaço e tempo para que os indivíduos entrem em contato com esses saberes históricos, sendo a escola (ainda) uma das grandes mantenedoras dessas tradições.

Outros benefícios das brincadeiras folclóricas são o fomento à autoestima, criatividade e coordenação visomotora, além do aperfeiçoamento das linguagens orais e musicais. Estar em contato com a cultura popular é a melhor forma de valorizar o pluralismo cultural.

Com tudo isso, somado ao prazer e ao maior interesse pelas aulas, o aluno assimila a importância dos vários saberes tradicionais, identificando suas influências em um mundo que é, hoje, globalizado.

Dessa forma, fica evidente a relevância da conduta ética do profissional de educação física tanto no ambiente escolar quanto em empresas prestadoras de serviços esportivos, assim como sua responsabilidade na integridade de seus alunos.

Conhece algum profissional que não se encaixa nas determinações éticas e legais brasileiras? Compartilhe este artigo nas redes sociais e ajude a espalhar a informação!


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