Seis Coisas Pra Saber Depois Da Faculdade De Educação Física

Vamos imaginar um cenário onde a graduação em Educação Física é impecável e não apresenta nenhum ponto a ser melhorado. Nesse cenário, todos os interessados e aspirantes a profissão levam a faculdade a sério e são comprometidos. Imaginou?

Agora você, aquele aluno exemplar, pegou o seu diploma. E depois? O que fazer?

Faço uma especialização ou um mestrado? Entrego currículo ou me inscrevo em um concurso? Vou trabalhar com o que gosto ou continuo naquele lugar chato onde fiz estágio porquê é “mais garantido”?

Todos nós, que passamos por qualquer curso de graduação sabemos que o período que compreende a “faculdade” é mágico. Festas, amizades, um novo ambiente, novas pessoas, nosso primeiro contato com profissionais experientes e principalmente o fantástico universo de informações. Porém, você teve algum direcionamento sobre o que fazer depois da graduação?

Considerando o tempo de experiência que tenho como educador físico, gostaria de deixar aqui algumas ideias que considero importantes para se ter em mente após a graduação:

1. A graduação não vai te formar como o profissional que você imagina e sim vai te abrir as portas para você chegar lá. A grade curricular na faculdade de educação física é bem abrangente. Muitas vezes (como no meu caso) existem disciplinas nas quais você não tem tanto interesse, porém vai ter que aprender tudo sobre ela. Quando formado, terá condições de caminhar por todas essas áreas, porém vai precisar se dedicar muito nas áreas que tem interesse para se especializar.

2. As pós-graduações não são um enfeite para o seu currículo. Conheci muitos professores que terminaram suas pós graduações para dizer: – Ufa! Consegui! Está aqui o meu pedaço de papel chamado diploma. Isso pode te garantir pontuação em uma prova de títulos para um concurso público. Entretanto, quem estuda para somente ter um pedaço de papel no final do curso pode correr o risco de se tonar um profissional desatualizado. As pós -graduações são (ou deveriam ser) a entrada para o mundo acadêmico – no qual não deveríamos nunca sair – e vão te mostrar os caminhos para conhecer mais sobre o tema que você escolheu.

3. Quantas pós graduações são necessárias para que eu seja um bom profissional? Eu responderia 1 ou 50! Se você é uma pessoa que só estuda quando tem prova e tem preguiça para o autodidatismo eu recomendo que você nunca pare de fazer pós graduações. Se você tem a mente aberta e sabe da necessidade de ter acesso a conhecimentos novos constantemente, 1 pós graduação poderia te mostrar o caminho das pedras.

4. Estudar ou trabalhar? Os DOIS! Não se esqueça que você é um profissional da saúde e não um historiador (até os que trabalham com o passado precisam se atualizar). Eu perco o sono quando vejo profissionais que estão trabalhando a anos a fio e nunca mais sentaram a bunda para estudar depois da graduação. Algum dia eu vou levar esses professores para aqueles dentistas de rua que tem na Índia e ver se eles querem ser atendidos por eles. Se você não gosta de estudar e só gosta de “dar aula” então você não entendeu bem a sua posição profissional. Como um professor meu diz: “A prática é a teoria em funcionamento!”

5. Especialização ou Mestrado? Isso já é uma pergunta bem íntima, rs. Passei pelas duas fazes em períodos diferentes da minha vida. A especialização abriu minha cabeça para um monte de teorias e ideias. O mestrado me ensinou o que é ser apaixonado por uma coisa. Tanto um quanto o outro vão te deixar atualizado, porém a diferença que eu vejo é que a especialização muitas vezes te dá o peixe mais gostoso e o mestrado te mostra onde está a vara, como escolher a melhor isca e onde pescar os melhores peixes. Só um apaixonado por pescaria entraria nessa. (rs)

6. Fazer o que gosto ou ganhar dinheiro com o que já tenho? Isso já é bem complicado e envolve uma coisa que não é sempre que temos: persistência. Conheço professores que contaram moedas, largaram muitas oportunidades e hoje estão felizes ganhando dinheiro com o que gostam. Conheço professores que utilizam a maior parte do seu tempo para ganhar dinheiro e o restante para sonhar com o trabalho dos seus sonhos. E conheço professores que NÃO sabem o que os faz profissionalmente felizes e por isso vivem reclamando e prestando um péssimo serviço a saúde das pessoas. Sabe aquele filme do Will Smith Em busca da Felicidade? Tem um capítulo do filme (da vida do protagonista) que se chama correria. Todo mundo que busca um sonho vai ter que passar por essa fase. Chuto dizer que quem ainda não chegou nessa fase está reclamando demais e fazendo de menos. Um teste rápido para analisar se o que você está fazendo é realmente o que te faz feliz basta pensar: “Se hoje fosse o meu último dia de vida, eu faria isso?”


QUATRO DE 15

Yuri Motoyama

Foto: divulgação